Professora da UFBA fala com a Rádio Visão FM sobre o meteorito encontrado em Palmas de Monte Alto

Foto: Vilson Nunes / Rádio Visão FM

Em entrevista exclusiva ao jornalista Vilson Nunes, da Rádio Visão FM de Palmas de Monte Alto (BA), na noite desta segunda-feira (29/05), a professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Dra. Débora Correia Rios falou sobre o pedaço de meteorito encontrado na manhã da última sexta-feira (26/05), na Fazenda Água Branca, zona rural do referido município.

Inicialmente, a professora do Departamento de Geologia da UFBA, destacou que o fenômeno ocorrido em Palmas de Monte Alto pode ser considerado bastante interessante, pois além da queda do fragmento ter sido testemunhada, posteriormente o objeto ainda foi encontrado. “Realmente é muito interessante, pois teve pessoas que ouviram o estrondo e depois puderam encontrar de imediato a amostra e recolher este fragmento evitando que ele ficasse exposto a chuva, ao vento, às questões de superfície da terra”, explicou.

A pesquisadora relatou que pelas imagens divulgadas na imprensa, o meteorito localizado parece ser do tipo rochoso, diferente do primeiro que foi catalogado como metálico, porém ela esclareceu que somente após os estudos realizados pelos especialistas será possível definir com mais precisão a sua classificação.

Débora Rios confirmou que dificilmente numa queda de meteorito cai apenas um único fragmento. Sendo assim, ela pediu que os moradores ficassem atentos, pois outros pedaços da mesma composição podem ser encontrados nas proximidades. “Pra ter causado essa explosão, muito provavelmente o corpo era maior no momento que ele entrou então outros fragmentos podem ter ficado preservados nessa queda”, esclareceu ela.

Ainda durante a entrevista, a professora ratificou que, na Bahia, existem apenas 5 meteoritos registrados, incluindo o de Palmas de Monte Alto, encontrado nos anos 40 pelo senhor Francisco da Cruz, conhecido por ‘Chico de Nem Grande. Segundo ela, Palmas de Monte Alto se tornará o único município do estado baiano e um dos poucos do Brasil a ter dois registros de meteoritos descobertos. Outros assuntos também foram abordados pela professora, tais como: A visita da astrônoma e pesquisadora do Museu Nacional do Rio de Janeiro, Elizabeth Zucolotto e sua equipe à cidade de Palmas de Monte Alto, ainda nesta semana; Valor científico e comercial dos meteoritos; Necessidade do município reconhecer esse patrimônio cultural para fomentar o turismo geológico, e etc.

Confira a entrevista na íntegra:

https://soundcloud.com/vilson-nunes/entrevista-com-a-professora-da-ufba-debora-rios

Bacharel em Geologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA, 1995), Débora Rios começou ainda durante a sua graduação a trabalhar com pesquisas em petrologia, tendo posteriormente a oportunidade de pesquisar e lecionar tópicos relacionados com Petrologia Ignea, Geocronologia e Geoquímica. Após finalizar o mestrado em Geologia/Petrologia (1997), iniciou o doutoramento (1998), mudando para Toronto/Canada (1999) para realizar parte do seu PhD através de um estagio sanduiche (CAPES) no Jack Satterly Geochronological Laboratory. De volta ao Brasil, tornou professora no Departamento de Geoquimica da UFBA (2001-2010), tendo lecionado cursos introdutórios e avançados para grupos pequenos (2-20 alunos) e grandes (30-60 estudantes) de alunos de graduação e pós-graduação. Na UFBA obteve uma bolsa de pós-doutoramento (FAPESB) em 2003, prestando concurso para professor adjunto em 2004. Em pós-doutoramento no Jack Satterly Geochronological Laboratory da University of Toronto (UofT) teve a oportunidade de lecionar Geologia Planetaria para uma classe de 250 estudantes aplicando tecnologia moderna (i-clickers) para manter o grupo atento e tornar a experiência de aprendizado dinâmica. Atualmente as suas pesquisas estão relacionadas a petrologia ígnea, abrangendo aplicações das ferramentas da geocronologia e geoquímica em amostras de rochas terrestres e extra-terrestres (meteoritos), mas também envolvendo ciência aplicada (ex. rochas ornamentais) e trabalhos com a comunidade para a divulgação científica e o progresso da ciência, através do importante trinômio da Geodiversidade, Geoconservação e Geoturismo. Clique aqui e veja o currículo Lattes completo!

Fonte: Vilson Nunes / Rádio Visão FM

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