Moro diz que ficou surpreso com Bolsonaro: “Tinha discurso voltado para o combate à corrupção”

Sérgio Moro (Foto: Reprodução)

O ex-juiz Sergio Moro admitiu que deveria ter deixado ainda mais cedo o cargo no Ministério da Justiça do governo Bolsonaro. Em entrevista ao programa “Conversa com o Bial”, da Rede Globo, Moro diz que ficou surpreso quando o presidente não vetou o projeto lei anti-crime, que foi aprovado pelo Congresso com mudanças que ele condenava.

“Estendi minha permanência no governo porque eu tinha um projeto de lei anti-crime que apresentei no começo de 2019, que teve uma tramitação lenta porque eu não tinha apoio do governo. Então foi votado apenas em dezembro de 2019. O projeto não foi aprovado nos termos que apresentei e algumas medidas que foram inseridas interferiam no combate à corrupção. Pedi para o presidente vetar, mas ele não vetou”, relembrou Moro.

“Confesso que fiquei surpreso, porque ele tinha o discurso voltado para o combate à corrupção”, lamentou.

Um dos pontos propostos por Moro no pacote anticrime à época e que ficou de fora da versão final foi o excludente de ilicitude, que propunha uma mudança no artigo 23 e 25 do Código Penal. A primeira, permitia a redução da pena até pela metade em caso homicídio por legítima defesa, se fosse cometido por ” escusável medo, surpresa ou violenta emoção”. A outra isentava policiais que matassem em serviço de responder juridicamente por isso.

Segundo o ex-ministro, substituído posteriormente pelo ex-AGU André Mendonça, a sua expectativa sobre Bolsonaro era de que ele fosse “mais estadista”, e que os áudios revelados da reunião ministerial deixam claro “o que estava acontecendo”.

“Eu tinha expectativa de o presidente ser mais estadista. Fiz o máximo que eu pude, até o momento que me foi retirada a possibilidade de continuar o governo e foi aberto aquele inquérito. O que foi gravado naquela reunião ministerial, aquilo é bastante revelador, todo mundo que assiste aquilo viu o que estava acontecendo”, completou.

LULA

Apesar de mensagens reveladas no escândalo que ficou conhecido como “Vaza Jato”, que mostravam Moro trabalhando em conjunto com procuradores da acusação contra Lula, o ex-juiz garantiu a Bial que nunca teve “questão pessoal” com Lula.

Ele citou outros casos de corrupção que ocorreram no governo Lula, como o “Mensalão”, que condenou políticos conhecidos que se tornaram aliados de Bolsonaro, como Roberto Jefferson (PTB) e Valdemar Costa Neto (PL).

“Eu nunca tive uma questão pessoal com o ex-presidente Lula. Eu fiz meu papel de juiz. O que nós vimos durante o governo dele foram os maiores escândalos da história. O mensalão não foi julgado por mim. Foi descoberto um esquema de compra de votos para apoiar o Governo Federal, e quem era o presidente da época? A Petrobras foi dia e noite saqueada como nunca antes na história desse país. Isso não é mito, não é ficção, Temos provas e reconhecemos o maior esquema de corrupção da nossa história”, opinou.

Fonte: Bocão News

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.