Exclusivo: Meteorito achado no início do século XX em Palmas de Monte Alto tem mineral de fosfato raro; estudo foi publicado em revista da USP

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Meteorito Palmas de Monte Alto: (A) Francisco da Cruz, o descobridor; (B) fatias retiradas da massa principal e utilizadas neste estudo; (C) massa principal. (Foto: Divulgação)

Um Artigo sobre o meteorito de ferro encontrado no início do século XX no topo da serra de Palmas de Monte Alto foi publicado na Revista do Instituto de Geociências da USP, a partir da análise petrográfica e mineraloquímicos. O estudo resgata e documenta o achado do meteorito férreo Palmas de Monte Alto, apresentando uma sequência de parâmetros classificatórios que amplia e detalha os dados disponíveis sobre o fragmento. Esse meteorito, um siderito, achado no topo da serra de Monte Alto antes de 1955, hoje representa um dos seis espécimes que compõem a coleção de meteoritos do estado da Bahia. Ele é constituído de uma única massa de 97 kg com alto estágio de oxidação externa em locais em que a crosta de fusão foi removida.

Meteoritos de ferro, similares ao de Palmas de Monte Alto, estudado neste artigo, representam frações diferenciadas do núcleo dos corpos parentais de onde se originaram. O meteorito Palmas de Monte Alto, objeto deste artigo é um dos seis espécimes da coleção baiana de meteoritos (Carvalho, 2017), foi achado pelo lavrador Francisco da Cruz no topo da serra de Monte Alto, antes de 1955 e removido para a cidade de Palmas de Monte Alto. Trata-se de uma massa de formato irregular composta de ferro e níquel com 97 kg de peso.

Apesar de sua massa significativa, exceto pelas informações preliminares apresentadas por Elizabeth Zucolotto para registro desse siderito e de um resumo integrante dos anais da 72ª Reunião Anual da Sociedade Meteorítica (Zucolotto e Riffi, 2009), não existem, na literatura científica, informações sobre esse meteorito. Os dados preliminares levaram o meteorito Palmas de Monte Alto a ser classificado como um octaedrito médio do grupo IIIAB

A peça é revestida por uma crosta de fusão de cor marrom com sinais de intensa oxidação, principalmente na mencionada protuberância, em que a crosta foi inteiramente removida. O meteorito exibe numerosas mossas arredondadas ou alongadas, denominadas de regmalitos, cujas dimensões variam de 20 a 100 mm de diâmetro (Figura 2C). Na extremidade da protuberância há um furo de formato oval medindo 33 × 24 mm que atravessa toda a massa metálica. Há outro furo circular com 47 mm de diâmetro localizado nas proximidades da extremidade que tem a protuberância. Esse segundo furo não atravessa toda a massa como o primeiro. Provavelmente, ambos eram originalmente preenchidos pelo mineral troilita (FeS), que vaporizou durante a passagem do meteorito pela atmosfera terrestre, tendo em vista seu baixo ponto de fusão (1.188ºC) em relação ao da liga Fe-Ni, que funde aos 1.500ºC, podendo essa temperatura variar um pouco em função da concentração de Ni. A superfície interna do meteorito observada após a serragem de uma pequena fatia apresentava cor cinza metálica semelhante à do aço, sem sinais de oxidação na parte interna do corpo principal

Confira aqui o arquivo em PDF do estudo realizado!

O estudo foi coordenado por Wilton Pinto Carvalho – Universidade Federal da Bahia. Programa de Pós-Graduação em Geologia; Débora Correia Rios – Universidade Federal da Bahia. Programa de Pós-Graduação em Geologia; Maria Elizabeth Zucolotto – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Museu Nacional; Herbet Conceição – Universidade Federal de Sergipe. Programa de Pós Graduação em Geociências e Análise de Bacias; Acácio José Silva Araújo – Universidade Federal da Bahia. Programa de Pós-Graduação em Geologia e Amanda Araújo Tosi – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Instituto de Geociências. Labsonda

Em contato com a reportagem do Portal Vilson Nunes, a geóloga Débora Rios, da UFBA, ainda questionou como está a situação do local para expor os meteoritos encontrados no município. “Palmas de Monte Alto precisa lembrar que é a única cidade da Bahia que tem dois meteoritos. São dois meteoritos distintos. E aí vocês têm uma peça importante, uma peça única, pouco estudado porque tudo que a gente fez foi no fragmento bem pequeno que foi doado lá para o Musel Nacional. A amostra maciça conseguiu ficar aí na cidade, vocês têm quase 100 kg dessa amostra e nada mais foi feito, ela não pode ficar lá no chão, ela vai estragar, vocês precisam recuperar aí a posição dessa amostra e colocar em exposição, ter um espaço pra isso, ainda mais agora que vocês têm um segundo, então é preciso que a população se movimente nesta direção“, manifestou ela. OUÇA:

Fonte: Portal Vilson Nunes

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