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Em nota, vice-prefeito confirma autoria de áudio e expõe divergências com prefeito de Riacho de Santana

Tito Eugênio (Foto: Divulgação)

O vice-prefeito de Riacho de Santana, Tito Eugênio Cardoso de Castro, se manifestou pela primeira vez sobre a crise política envolvendo o prefeito João Vitor Martins Laranjeira. Em nota encaminhada com exclusividade ao Portal Vilson Nunes na noite desta quarta-feira (19), Tito confirmou a autoria do áudio que circulou nos últimos dias e revelou divergências internas na condução do grupo político.

Sobre a gravação, o vice-prefeito foi categórico: “não nego o que disse”. No entanto, afirmou que o conteúdo divulgado corresponde a um trecho de uma conversa mais ampla e foi apresentado fora de contexto. Segundo ele, as insatisfações mencionadas no áudio já haviam sido levadas pessoalmente ao prefeito.

Tito afirmou que seu descontentamento aumentou ao perceber o afastamento de pessoas que participaram da construção do projeto eleitoral e a redução de sua participação nas decisões do grupo. Ele também citou mudanças em acordos políticos relacionados às indicações para a administração municipal.

O vice também comentou as especulações surgidas após sua aproximação com o ex-prefeito Alan Vieira e negou que exista uma composição definida para 2028. “Não existe chapa formada com Alan Vieira”, declarou, acrescentando que qualquer decisão sobre o futuro político deve envolver lideranças, o grupo e a população.

A manifestação ocorre após a exoneração de sua esposa, Nádia Beatriz, da Secretaria Municipal de Assistência Social. Para Tito, porém, a saída dela não deu início às divergências, que já existiam anteriormente.

Ao encerrar a nota, o vice-prefeito afirmou que continuará dialogando com a população e destacou sua ligação com o município: “Riacho de Santana é minha história, é minha terra querida e sempre será o meu bem-querer.”

Confira a nota encaminhada pelo vice-prefeito na íntegra:

“Diante dos acontecimentos recentes envolvendo a divulgação de um áudio atribuído a mim, as especulações sobre uma possível chapa com o ex-prefeito Alan Vieira e a exoneração de minha esposa, Nádia Beatriz, da Secretaria Municipal de Assistência Social, considero necessário esclarecer alguns pontos.

Nunca gostei de transformar divergências internas em discussão pública. Sempre acreditei no diálogo e no respeito entre aqueles que decidiram caminhar juntos. Mas o silêncio não pode permitir que uma versão incompleta dos fatos seja tomada como verdade.

Sobre o áudio, não nego o que disse. Trata-se, porém, de um trecho de uma conversa maior, cujas preocupações já haviam sido apresentadas pessoalmente ao prefeito João Vitor. Naquele período, eu vinha recebendo reclamações de riachenses que confiaram e votaram na nossa chapa e não compreendiam por que pessoas que participaram daquela caminhada estavam sendo desligadas dos serviços. Essas demandas foram levadas diretamente ao prefeito.

Por isso, causa estranheza ver essa conversa ser resgatada agora, de forma isolada e fora de seu contexto, associando-a aos acontecimentos que culminaram na exoneração de Nádia. Eu disse diretamente ao prefeito aquilo que pensava e procurei o diálogo enquanto acreditei que nossas diferenças poderiam ser resolvidas dentro do próprio grupo.

Quando fiz parte desse projeto político, acreditei em uma construção coletiva. Trabalhei pela eleição do atual prefeito e mantive a palavra que havia dado, mesmo diante das frustrações que surgiram posteriormente.

Meu maior descontentamento começou quando percebi que pessoas que ajudaram a construir esse projeto estavam sendo retiradas de suas funções e que minha participação nas decisões anteriormente construídas em conjunto vinha sendo reduzida. Ainda no primeiro ano do mandato, também passei a perceber um movimento de afastamento político dentro do grupo que ajudamos a construir.

Mesmo diante disso, não transformei nossas divergências em espetáculo público. Continuei buscando o diálogo e tentando resolver as questões internamente.

Também esclareço de forma categórica: não existe chapa formada com Alan Vieira. Uma eleição municipal ainda está distante e qualquer decisão sobre o futuro político de Riacho de Santana precisa ser construída ouvindo o grupo, as lideranças e, principalmente, o povo. O futuro da nossa cidade não pode ser decidido pela vontade isolada de uma ou duas pessoas.

Da mesma forma, a exoneração de Nádia não inaugura essas divergências. Antes dela, outros compromissos políticos já haviam sido revistos, entre eles o entendimento relacionado à minha participação na indicação para a Secretaria Municipal de Saúde.

Faço questão de deixar claro: a questão nunca foi simplesmente ocupar cargos. Cargos passam. O que está em discussão é palavra, respeito e compromisso com aquilo que foi construído coletivamente.

Não escrevo para alimentar conflitos nem para transformar divergências políticas em inimizades pessoais. Sei dos compromissos que assumi e tenho a consciência tranquila de que procurei cumpri-los.

Também não quero apagar a história de ninguém. Mas não permitirei que contem pela metade a minha.

O povo de Riacho de Santana conhece minha caminhada porque ela foi construída perto das pessoas: entrando em suas casas, sentando à mesa, ouvindo suas dificuldades e compartilhando seus sonhos. Conhecendo não apenas a sala onde se recebe uma visita, mas a cozinha onde a vida realmente acontece.

Continuarei caminhando, dialogando e ouvindo as pessoas, com serenidade e responsabilidade.

Porque os cargos passam. Os governos passam. As divergências políticas passam. Mas aquilo que construímos com as pessoas permanece.

E uma coisa nunca mudou:

Riacho de Santana é minha história, é minha terra querida e sempre será o meu bem-querer.

Tito Eugênio Cardoso de Castro
Vice-Prefeito de Riacho de Santana – Bahia”

Feito por Portal Vilson Nunes

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